Cinema e crítica.


Raia 4

Um abraço apertado, sufocante e silencioso, desliza sobre a tela nas imagens que encerram Raia 4, longa-metragem de estreia de Emiliano Cunha. Em um filme povoado por silêncios de ponta a ponta e cuja estrutura de roteiro e fotografia procura localizar sua força dramática nessas imagens que parecem dizer pouco, ancorando-se em um desenrolar paciente, é

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    Elegia do amor e do ódio Agora, Senhor, já tudo passou e o tempo aliviou a minha ferida. Poderei aproximar da vossa boca o ouvido do coração, para ouvir de Vós, que sois a Verdade, o motivo por que o choro é doce aos desgraçados? Santo Agostinho (Confissões) Apesar de Raoul Ruiz não precisar de…

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    É preciso começar dizendo que, em meio ao horror e ao caos, há sempre um último suspiro de generosidade. A tarefa irrenunciável do artista começa quando este não pode mais negar a relva turva na qual é necessário fincar os pés e movimentar-se, ciente da iminência do perigo. Para vencer ou para ser derrotado? Pouco importa:…

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    As danças, os salões, as festas, ambientes recorrentes em seus primeiros trabalhos, não aparecem como configuração de espaços casuais ou acessórios, mas correspondem a uma lógica, ou melhor, funcionam de acordo com seus ritmos e impulsos. O pacto e a confissão: o acidente possível, transfusão daquela barbárie que a imagem do cinema vai inscrever, ainda…

Quando assistimos as famosas imagens dos três leões em Outubro, se os três leões fazem um efeito de montagem, é porque existem três ângulos de ponto de vista, não porque existe montagem.

Jean-Luc Godard, 1996

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